Tomaz de Figueiredo a Tomaz de Figueiredo a 18 de Setembro de 1966

Meu Querido Tomaz

Pronto, meu Filho, aqui estou. O comboio
chegou à Régua com perto de uma
hora de atraso, mas tudo compensa
o abraço amigo do Fausto. Que bom
silêncio, que não é silêncio, aqui!
E que boas novas!
Para o próximo Domingo, combinada
já uma caçada às codornizes, em
Moimenta!
Nem calor nem frio, que bom! E respiro.
Sabes que me esqueci, no bengaleiro,
do casacão de coiro. Seria possível
que lhe arranjassem uma caixa de
- registado, evidentemente? É que,
mais dia menos dia, ou arrefece
ou chove.


O Fausto, de ideias fixas, contava
mais ou menos contigo, e ficou
desconsolado por não te ver chegar.
Vou ver se faço metade do que
tenciono fazer, e já será bem bom.
Para já, vou dactilografar “o livro
dos Mendigos" do Fausto, a ver se
o teimosão se resolve a publicá-lo.
É trabalho para três dias.
Dá-me sempre notícias vossas: de
vós três, claro.

Grande abraço do
Pai Amigo
Tomaz

Aldeia de Cima, 18 de Setembro de 1966
P.S. Escreves para: Douro – I – Aldeia de Cima
T.