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Tomaz de Figueiredo a Tomaz de Figueiredo a 14 de Novembro de 1949Meu Querido TomazBrincando, brincando, fazes amanhã 19 anos, e eu aqui vou recordando com a dor do never more os filhos que já em ti me morre- ram, que nunca voltarão, - o que me chorou e estrebuchou um dia no colo, enfaixado em mos- tarda, - o que na estrada da Ponte Nova, com uma vestimenta vermelha, ia apanhando a pedrada duma doida, - o que "Eu quero o meu milhinho1", ao pé do Varosa, - a seguir o alumo da "Fofa" – depois o que me ofereceu um dia de anos "onde a Terra se Acaba e o Mar começa", tantos meninos, tantos filhos num só, tu, ficados pelo caminho, mortos, mas todos vivos na minha saudade… Acabou-se, para todos olho, dentro do coração, meu Tomaz a quem dei "A Toca do Lobo." A ver se no próximo ano já não tenho de te escrever, se ainda aproveito um bocadinho o Tomaz que és agora e que, como "o do milhinho" pouco tardará a fugir. Recebi a tua carta. O conto seguirá por estes dias, muito embora não deva eu já aqui demorar muito, pois, como disse a Mitó, espero ir no dia 26. Já estou bom da cara, só ainda com as sobrancelhas chamuscadas. Graças a Deus, não fiquei marcado. Valeu-me a inspiração de, ao sentir a cabeça a arder, a embrulhar e apertar uma toalha, que até pareceria a maçaneta dum bombo. Amanhã é aqui o dia do feriado municipal. Decerto acabarei o conto. Muitos beijos a Mãe e as tuas irmãs, e também um, muito grande do amigo e pai Tomaz Vertical Estarreja, 14 de Novembro de 1949 |