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Tomaz de Figueiredo a Tomaz de Figueiredo a [data desconhecida]Meu Muito Querido FilhoPasso este livro a tua posse, e não o percas. Acaba por entregá-lo a tua Mãe, para que mais tarde o tenhas como presença e nunca fala do pai trucidade, do pai presenteado com a paralisia mental que a Psiquiatria e seus processos brutais de tratamento não puderam nem poderão vencer. Sabes que estou mental e fisicamente perdido, mas, homem, não podes avaliar do sofrimento não humano, do sofrimento inumano que provém do geral funcionalmente anormal da mente e dos nervos em circuito fechado de pensamento e sofrimento da mente e do corpo. Estou normalizado, inutilizado para à vida inteira, frustrada para tudo, até para a obra literária que – sabes – tanto amei, e que fica em meio e que não sei prosseguir: frustrado - e essa a mais incomportável das angústias, até para as tuas irmãs e para ti, para a neta e netos que de todos vós me vieram, - para a todos a tudo sentir afectivamente, pois só a frialdade estética da inteligência me restou: esse o infinito e nulo salvado dum infernal e ingénuo atentado. Querido Filho: logo que possas, vai procurar-me aonde eu esteja, que não presumo onde será para me despedir de ti e te beijar Teu Pai Tomaz [Repetição da primeira página.]
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Tomaz de Figueiredo. |