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Tomaz de Figueiredo a Maria da Soledade de Azevedo de Araújo Costa Lobo e Mendonça a 29 de Julho de 1927Minha Querida MamãCalculo que devam estar aí aflictissimos sem notici- as minhas e das minhas provas escritas. Mas eu é que tenho cem vezes mais razão para estar zangado. Antes de mais nada. – As escritas correram bem graças a Deus e farei as orais o mais tardar dentro de quinze dias. Vamos agora ao caso. Tenho esperado em vão todos os dias que me cheguem esses famosos sapatos que afinal estão no mundo dos impossíveis. E já lhes perdi as esperanças. Assim não há calçado que regista. Os que trago nos pés já estão rotos. Bonito serviço. Diga ao Papá que me envie imediatamente outra carta para o P. de Castro, pois a que tenho está datada e deve ser uma carta sem data. Alem disso, não tenho a cer- tesa de que ele tenha recebido, a carta que ele lhe escreveu, pois aquela direcção era errada. Mas que mande sem perda de minuto. É hoje sábado conto com carta e sapatos na quarta ou quinta. Eu estou razoavelmente habi- litado e é quazi certa a minha passagem. Estou também bem de saúde. Muitas saudades ao Papá e muitos beijos do seu filho muito amigo Tomás Lisboa, 29 de Julho de 1927 |