Tomaz de Figueiredo a Miguel de Paiva Couceiro a [data desconhecida]

Caríssimo Miguel de Paiva Couceiro

Retardado no Douro (às uvas, às perdizes, à
neve e à poeira) torno a Lisboa e
dou com a sua carta. Há ainda compensa-
ções na carreira (dura!) de quem teima
na vocação, fiel a quanto nasceu,
ao que pensa e espera morrer
a pensar, ajudado de Deus e do sangue.
Palavras como as suas,
(e de longe a longe me chegam, até
de desconhecidos) são já confortadora paga.
A ver, meu caro Miguel (o Miguel
que em 1916, já via pela ruas
de Pontevedra e à mesa do Mendez
Nuñes com florzinhas – ora vejamos se
o cabeçudo que me louro de permanecer
continua a não aguar o que
escreve, sempre sentimentalmente, raivosamente
na Toca do Lobo.

Muito apertado abraço
do T. de F.

 

 

Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Miguel de Paiva Couceiro.