Tomaz de Figueiredo a Maria Ondina Braga a 28 de Julho de 1968

Querida Amiga Maria Ondina

Pois muito me conta, sem de novo
nada me contar, das burocracias
que abanaram duas poetisas no
S.N.I.
De, novo, nada pois que poderia eu,
sem muito revolver a memória,
trazer-lhe semelhantes aventuras
passadas por mim. Hilariantes
histórias! Patuscas!
Porque, tudo o que me conta e que
não me surpreende, fica em patusco.
Vamos é andando firmemente,
uma condição, apenas: a de termos
fé em nós, no bichinho que por

dentro nos mina e ilumina, que nós
só podemos apagar, que desdéns
e “importâncias” não apagam,
pelo contrário, pois que uma
estrela, e só nossa.
Ora, passemos ao que ainda menos
interessa. Tive de ir à faca. Perigo,
nenhum. Dor, muita! Arre!
Depois de cinco dias de clínica
e do cheiro a éter das batas
brancas, voltei a casa, onde
convalesço, visitando por um
enfermeiro. Uns dias mais e
estou fino. Mas foi uma batalha
de sofrimento.

Grande, muito grande abraço
amigo do
Tomaz de Figueiredo

Lx. (Lisboa) 28/7/1968