Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 19 de Fevereiro de 1960

Minha Querida Maria Antónia

Tenho demorado a responder-te,
a espera de poder informar-te da
saída do número 9 da Tempo Presente,
que saiu agora, e lá traz o segundo
Acto dos Lírios. Sempre gostaria
me dissesses a impressão do T., mas
eu bem sei como ele costuma ser pouco
entusiasmado com o que faço. No
entanto, desta vez, devia deitar foguetes
porque ainda ninguém feriu a imbecilidade
e a desonestidade triunfantes como eu, principal-
mente nesta peça.
Não é impunemente que se faz, a um
homem, pior – e muito pior – que os
americanos ao Chessman.
Agora, aguentem-no, porque ele é
a Justiça justiçada, levada a Câmara
de gás.

Vou mandar-te a nota que pedes,
que o carrão do Neves ainda não me
deu.

Muitas saudades e beijos
para vós do
Teu
Tomaz

Estarreja, 19 de Fevereiro de 1960