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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 18 de Agosto de 1959Minha Querida Maria AntóniaLá foi ontem ao Porto, aonde terei de voltar, porque o fato, esquecido dos empregados, só o dono sabe dele, e não estava na loja. O caso do casaco de malha aborre- ceu-me muito, por verificar, e sempre assim continuará, que esta doença é a do roubo, até as traças me roubam. Se eu estivesse bem, não o teriam traçado. Eu, de dia, vou seguindo tem-te não caias, ajudado pela droga e pela imposi- ção de me distrair, mas as noites continuam a ser terríveis. Espero que a Mitó, lá para o fim do mês venha aqui e me traga a máquina de escrever, pois decidi dactilografar o que escrevi, embora a lentidão dos movimentos me angustie. No Porto andei só e menos mal. Pensei que já não serei capaz de andar só numa cidade. O mal está na contínua dor de cabeça, onde parece que rolam pedras. Foi um corpo que funcionou muito bem. Muitos beijos a Rosa. Diz-lhe que, se me escrever, lhe respondo. Beijos também do Teu Tomaz Estarreja 18 de Agosto de 1959 |