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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 14 de Dezembro de 1969Minha Querida M. AntóniaDiz-me o Neves que já te mandou a nota de Novembro. Espero que já tenhas recebido o vale. No entanto, para que possas reclamá-la, aqui te vai o recibo. Continuo a escrever, a única forma de atenuar o sofrimento cerebral e nervoso, de me distrair. Na Revista "Tempo Presente" vai sair uma peça de teatro, em três actos, que porá os cabelos em pé aos bien pensants que felizmente abundam neste país e muito contribuem para a sua presente e sempre crescente felicidade. Esses senhores sapientes – claro – só gostam do teatro "boulevardier", e fazem muito bem. Vou arranjar aqui uma dactilografa a ou o, para copiar a peça. Dactilografar é-me hoje muito penoso, pelo que me engano e pela paralisia nervosa. Dizem-me que a peça será paga. A respeito do que estou a escrever, decerto se arrisca a ficar pouco menos de indecifrável – e sem aqueles retoques da minha antiga paciência – por falta de uns dedos que substituam os meus a tocar no piano da máquina. Et, cependant…J’écris des Choses hors classe. Beijos para vós do teu Tomaz Estarreja, 14 de Dezembro de 1959 |