Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 14 de Julho de 1958

Minha Querida Maria Antónia

Vais ficar espantada com esta carta,
depois de já ontem te ter escrito.
Ora aqui tens,
cura para a minha nevrose não o
há, sei-o bem, farto de o saber.
Mas, ontem a noite, deram-me uma
especialidade americana que anula
a angústia, que dá, até, boa disposição.
Poderei, assim, penso, seguir a minha
carreira literária, colher os frutos
do que tão amorosamente servirei.
Claro, hipotecado, para a vida, a
dois sputniks azuis de Dexital,
diariamente. Escrevo a Mitó a
dizer-lhe o mesmo.
Hoje, tomado Sputnik, pedi
logo banho, barbeei-me e pó de


talco, etc etc.
Do lobo um pelo.
Quando aqui venhas, previne e traz
a querida Zinha, de quem tenho tantas
saudades. Tomarei um spuknik de
Dexital, e nunca ela me terá visto mais
bem disposto.

Muitos beijos do teu
Tomaz

Estarreja 14 de Julho de 1958