Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 5 de Abril de 1960

Minha Querida Maria Antónia

Vejo o que me dizes.
Também a Mitó me escreveu, mais explícita.
O T. não fez mal. Fez optimamente.
A sentença estava decidida, como todas
as desse Tribunal. Aliás, o crime está
no Código. E o mal em que haja quem
aceite julgar.
Daqui compreendo tudo. Não escreverei a
terceira carta, a não ser que a pessoa me
diga alguma coisa. E, então, serei sereno,
descança.
Não aceites sequer a hipótese de paga-
mento do imposto de Justiça.
Recorrer – a não ser para firmar
princípio – será inútil.
Há dias foi aqui julgado um crime
de morte, a navalha, pelas costas.
Pena, 3 anos de prisão.
Vou devolver-te a papelada. Bastará
rasurar, corrigir as somas e ressalvar


não dates. Data-se cá.
Beijos para vós e para Ele do
teu
Tomaz

Estarreja, 5 de Abril de 1960