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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a 2 de Fevereiro de 1959Minha Querida Maria AntóniaAcabo de receber a tua carta. Hoje ou amanhã seguirão as fotografias. Faz notar ao Tomaz que a dos peixes é uma fotografias única. Mas, pois será talvez interessante que estas fotografias fiquem para filhos e netos, de recordação, vê que ele, que tudo perde, não as extravie. Tirar novas fotografias do andor e dos movi- mentos. Quanto isto me tortura, bem o calcularás. Com as fotografias irá uma revista que transcreve um soneto meu, publicado no jornal de Estarreja. Agora…é que de todos os lados passaram a ver quem eu era… vou hoje começar a gravar, por favor dum amigo, o poema "Viagens no meu Reino". Embora, hoje, com a voz afogada e torturada, sempre será lido, por mim, a pessoa que melhor lia. Depois mando-te a fita, e, se tiveres onde a oiças, ouve-a com a Mitó e a Maria Rosa, com as duas tão queridas meninas dos meus olhos. Só para o fim deste mês receberei o ordenado melhorado, e isto por questões de contabilidade desses inteligentíssimos serviços da Gestapo da Rua Da Prata. E a Mitó? Está melhor? Custou-me já aqui – não sei se com verdade – que foi esse tal génio médico Pedro da Cunha o autor da estupidez. Decerto devia ter feito a cesareana…Com certeza, não reparou, ao fim, nos laceramentos, que deviam ter sido imediatamente soturados. Diz a Mitó que me custa muito escrever-lhe pois só quereria dizer-lhe o impossível, - estou bom… Amanhã, também, sai o Muitos beijos do teu Tomaz |