Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]

Meu querido amor, adeus, - adeus
a primeira, até a primeira hora,
boa ou má – boa, porque Deus é a justiça,
ou então não existe – em que eu
tenha a coragem, ou a força – bem
sei – de estoirar esta inútil cabeça,
útil só para o sofrimento, e que
padece a tortura de ser boa de mais,
parece a tortura de ser boa demais,
imprópria para o vilíssimo mundo
dos homens em que tive de nascer.
Meu amor, minha mulher, carne
da minha carne, adeus. Nasci
puro demais para ser deste mundo.
Eu forço-me, torço-me, eu contorço-me, eu
retorço-me. só incerto, é ignóbil,
o que sofro. Nada vale, só o tempo, que
me fechará os olhos, abrindo-mos para
a luz derradeira, para a de Deus.

 

 

Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo.