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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Querida MitóEscrevo-te a noite, porque de dia, a tempo do comboio, é difícil. Na Junta, cada vez tudo pior. O S. e Silva que há dias andava a arrumar as gavetas, teimou hoje em me entregar as chaves da porta, da secretaria e do cofre. A saída dele é inevitável. Só um terramoto podia talvez mudar as coisas. Mas os terramotos costumam vir tarde demais, embora nunca deixem de vir. O Quim nada pode fazer. Tomara ele safar-se também da esparrela em que caiu, consequência do primeiro passo – ser secretário do Pedro Tº. Bem eu disse então, apesar das minhas palavras terem sido tomadas como palermi- ce. Chapada e não sei que mais, talvez como de inveja. Com todas as espantosas e invulgar qualidades de honestidade, competência, etc etc, o [i] ainda se arrisca a sair da Junta enxovalhado. A tanto pode levar esta incompreensível política, tão gabada e exaltada, sob a égide de sua divindade novo Lazarilho de Tormes. Acabou-se. Recebi a tua carta. Ainda bem que já principiaste o tratamento. Vê se o conti- nuas. A respeito do dicionário, penso que deves ter achado bem o que te disse. Mas se preferires este, manda dizer. A Mitózinha deixou cá, os rebuçados. Eu lhos levarei ou cá os encontrará se eu aí não for, o que é perto de certeza, embora não possa demorar muito a nomeação do novo presidente, pois quem o nomeia deve estar com certa pressa – não vá vencer
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |