Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]

Minha pequenina querida

Estou cheio de inquietação
e cheio de cuidado por não
ter notícias tuas há dois
dias. Acabo de te mandar um
telegrama, e tenho esperança
de ainda hoje ter a resposta.
Não Sei a que atribuir o teu
silencio. Penso que por cer-
to revirou tua Avó, mas
ao mesmo tempo custa-me
a crer, que não tivesses
ao menos escrito duas linhas


que me socegassem. – Nem mesmo
no cazo de ter morrido, acredito
que fosses capaz de me deixar
de escrever. – Seria bem feia
acção, que eu não compreende-
ria nem desculparia.
Não sei, não posso calcular
o que aconteceu. – Sei que estou
sem calma e esperando anciosa-
mente a hora da chegada do correi-
o. – Já vou pondo o coração
ao largo para o caso de não
vires no dia 15 que estou
a achar muito provável.
E eu que já contava escrever-
te uma vez mais, porque a


minha carta de amanhã te
chega aí no sábado!
Paro aqui esta carta, que
acabarei a noite depois de
recebido o correio. – Nunca
a falta de noticias tuas me
preocupou tanto como agora
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