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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Muito Querida Maria AntóniaFicaste agora arrependida – arrependida não, porque o fizeste insensivelmente, - mas ficaste aborrecida por teres tocado no asssun- to - beleza. Mas vejo que justificas a minha forma de proceder, que te trouxe aquela dúvida. Também eu não gosto de elogios directos e muito menos de os fazer. Por isso me calava, supondo bem que sabias o juízo que formava a teu respeito. Já agora, - vou dizer-te que não é só a Tereza, que tem essa opinião. As Assis já uma vez há dois anos me disseram que eu não merecia uma rapariga tão bonita… Eu é que não podia dizer com elas, e por isso calava-me, porque acho que não fica bem, andar um rapaz a tecer elogios a sua futura noiva. Mas tem paciência. Ainda me não convenço que não tivesses adivinhado…A contrariedade que a frase da Tereza te motivou, apesar de tudo, de tua calma – forçada pereceia perfeitamente. – Não conseguiste ocultá-la a ponto que eu não a notasse. Dizes que não te importa a opinião dos outros. – Pelo menos Maria Antónia, - sempre lisonjeia. Ainda hade aparecer a primeira mulher, e olha que não aparece descansa – aquém seja indiferente a opinião que a seu respeito formem os outros. Ora mete bem a mão na tua consciencia!...- Não gostaste que eu te falasse naquela outra rapariga. – Não gostaste Maria Antónia. Já aqui nos Arcos te falara dela, e tu disseste que não te importavas, que com Os rapazes era uma coiza diferente. E o que quero é não te esconder nada da minha vida que passou. – A bem dizer, - moralmente, não Era tão boa, que depois não soubesse, eu também nunca lho perguntara, que era uma razoável namoradeira. Foi quase um namoro literário, e creio que também não lhe despertei outro interesse que não fosse literário. Mas como eram um laço frágil, bem frágil e artificial, durou tudo três meses – e passou. – Está casada no porto com um banqueiro, um Pinto da Fonseca, creio eu, e ela é tão infeliz, e ele tão bruto que creio que até lhe dá pancada. – Aqui tens. – Chamava-se ela – para acabar a minha confissão, - Maria Isabel de Vilhena Coutinho de Gusmão. Vou agora dizer-te como te prometi, e como me pedes, quem forjou aqueles extraordinário conto do enveloppe. Foi o Adriano Silva. – Agora já para mim lhe existem duas certezas. – De que foi ele que teceu a intriga a volta da tua primeira carta, e de que é verdade que teus tios se abriam em confidencias com ele a nosso respeito. – Porque sempre disseste alguma coisa a respeito dos versos a teu tio Jaime. – Eu creio, que eles deixaram de lhes falar em nada ecarmentados naturalmente com a burla de mau gosto. Ele dantes me vinha com lérias, mas eu não lhe dava confiança. Agora que sei de que força é, se algum dia pretender meter o nariz
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |