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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Muito Querida Maria AntóniaComo ontem realmente esperava as tuas duas cartas chegaram- me à noite – matematicamente. Vejo o que me dizes acerca da forma de escrever a direcção. Não deve ser por isso creio bem. Mas o mais interessante é que só hoje posso fazer-te a vontade pois é este o único envelope que ainda tinha em branco. Às vezes, sentado à minha mesa, entretinha-me a escrever-lhes a tua direcção de forma que tenho uma porção deles até já selados. Agora é que tu vais em face disto - chamar-lhe uma forte mania. Mas não o que deves concluir, é que se o fiz é porque muito penso em ti. Tu não tens esperança nenhuma de que as irregularidades acabem, deixan- do eu as cartas de dia. Eu pelo contrário, - tenho muita. Vamos a ver…Quero mandar-te mais versos, se acaso te não masso. Mas primeiro para que não me aconteça mandar algum que já tenhas, peço-te que me digas o título dos que aí tens. – Mas olha, sempre escreve isso num papel a parte, para não roubar espaço ao que me escre- ves!!!É que também eu se as tuas cartas que não trouxeram muito afecto, embora o não queira, - fica a pensar [i] que de triste que ficas quando nada recebes, já não sabes o que me hás-de dizer. – Olha a mim acontece-me o contrário. Quanto mais triste, mais as palavras me acodem.
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |