Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]

Maria Antónia

Chegou-me
a sua primeira carta. – Escrevo a noite, pois quis
esperá-la. A sua primeira carta depois que


por ti, depois que me afastei da sua beira
para trabalhar, afim de que um dia
deixemos de estar separados…
E assim aquela impressão de isolamento
que me acompanha come-
ça a desfaze-la a chegada das suas noticias.
A minha carta de ontem, se pudesse não
deixaria chegar as suas mãos. Não
me recordo bem o que escrevi, mas suponho
que até ridículo fui. – Não importa. Deixá-la ir.
A Maria Antónia saberá muito bem ler
nela tudo quanto eu sentia, a tristeza do
afastamento, e aos seus
olhos que a compreenderam ela deixará de
ser ridícula. Quando daí saí não
quis deixar de me despedir. Apenas poucas
palavras tive tempo para lhe mandar. A Maria
Antónia por isso não reparou que não fosse uma
carta tão curta.

Soneto de Amor T.

Chovem estrelas de oiro e de cobalto.
Miríades de estrelas sobre mim…
Um sonho feito de âmbar e marfim
- mística, - elevo a minha ideia ao

Neste sereno voo em que me exalto
Sem ter distancia porque não tem fim.
Todo eu sou aza, incenso e de setim
cor de granada é o trono que eu assalto…

- Divino de luar1 – Transmigro em som…
- dos bíblicos huffhás, o fuido Tom
Diz que é já tempo de p’ra mim partir…
Faz-se miudinha a chuva de ouro agora,
e como rompe o Sol da nossa aurora,
pinta-se na minha alma, um arco íris…

 

 

Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo.