Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]

Minha Querida M. Antónia

Acabo de receber a tua carta.
Há uns quatro ou cinco dias
que te mandei um vale, para a
a Avenida 5 de Outubro.
Decerto o cartão já lá foi por
várias vezes, e estará em depósito
na Estação que lhe compita.
Amanhã, porque hoje é Domingo,
eu colherei o rendimento de Novembro
e to enviarei.
Continuo a ter-me de pé com a droga.
E a escrever, a escrever. Já vai em
meio o 2º volume do fleuve que
principiei. Escrever é o refúgio.
Mandei-te há dias para a Aquiles
um jornal. Não sei se o recebeste.


Também ontem mandei um a Mitó.
E pronto.
Nasci para a pena, em todos os
sentidos. E, ao cabo, a minha pena há-de ficar,
para honra dos do meu sangue.
Beijos para vós todos do

Teu
Tomaz