Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]

Minha Querida Maria Antónia

Recebi a tua carta. É preciso que faças
quanto possas – no teu direito de Mãe, que tem de
ser ouvido – para que o Tomaz não seja sujeito
as crueldades usuais e hoje aperfeiçoadas com
que os do Fulgêncio Baptista supõem poder
aguentar-se. Bem sei que, hoje, nada podes,
desde que deixaram de ser herdeiros presuntivos, como
foram supostos e se supuzeram. Mas que se
aguentem, tanto mais que, com filhos das mesmas
ideias, só a falta do mesmo nervo os salvou.
Horroriza-me esta diabólica doença que me
prende e inutiliza. Se estivesse bom, tudo
correria de maneira diferente, tal como ainda
pude tirar a limpo e confirmar o que aí
te foi negado.
Quando estejas com o Tomaz, peço-lhe
digas quanto estou paralizado, quanto
me impossibilita de ir salvá-lo, quanto me
impede de, no julgamento a que será
submetido, ser seu advogado – e melhor
não encontraria.