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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Querida Maria AntóniaRecebi a tua carta. Não disse nada, desgraçadamente, a nossa Filha, pelo nascimento da nossa Neta. Custa-me, além dos olhos da cara, tocar no sagrado, no Bem ao meu desalcance. Sei que, um dia, os meus descendentes se honrarão de mim, que lhes deixarei uma obra única da Humanidade, paga a custa de indizível sofrer. Comecei já outro livro, de sonetos cada vez mais de apuro, e seguirei, seguirei, queimando cérebro e coração. Desse livro, mando-te dois sonetos feitos ontem, ao deitar-me, que peço dês a Mito, como resposta. Muitos beijos para Elas três e para ti do teu Tomaz Vertical P.S. Para que a Mito Querida também sorria, mando outro soneto da Viagem. T. |