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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Querida M. AntóniaAinda, há um segundo, nem pensava em te escrever. Continuo, estupidamente, absurdamente, desnecessariamente, a fazer versos. É horrível esta condenação. Mas é a única forma de suspender, no momento, a nuvem que me pesa na cabeça, que começa a ser capacete. Digo-te que esteve aqui um inspector. Achou tudo muito bem, etc etc. Amabilíssimo, carinhoso, até, comigo. Humano. Boa alma. E nem admira… Atirei-lhe à cara que era poeta, e ele confessou…levou cópias de versos meus, que achou extraordinários. Agora – boa noite! – é que os serviços Batem no peito. Mandei-te um jornal, que decerto levaste ao T. com que esforço respondi àquela entrevista, em que penso que logrei ser lúcido! Bonito serviço me foi feito! Eu que aguente… Se aqui vieres, dar-te-hei, para a Mitó guardar, uma colecção de espantosas cartas que tenho recebido. Vou no décimo quinto livro… |