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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Minha Muito Querida MitósinhaEstou a escrever-te a noite, pouco depois de te deixar. – Sinto esta necessida- de, - e no entanto, não sei como isto possa ser, - não me apetece nada faze-lo. Sinto o meu coração – a minha alma - cheios do meu, do teu, - do nosso Amor. - e alimentar, abrandar esta dor boa, - mas sempre dor que é o Amor com rabiscos de tinta, - frios, sem expressão….Queria-te aqui a minha beira, - mas para sempre, - perto, tão perto que sentisse aquele cheiro que tu tens naturalmente, - e que eu te disse que parece a Oliveira da China…Acho que é o teu Amor que é o teu coração que cheira bem – Escrevo-te esta carta, - para te consolar da minha estupidez metódica, para te dizer mais uma vez – muitas – infindáveis vezes, - que te amo muito, que és tudo - tudo para mim, - e que faço tenção de sempre assim pensar e de sempre assim sentir – Não te desconsoles comigo. - Nunca duvides de mim. – Como quero tu que eu te mostre quanto gosto de ti, preso, inutilizado, por um milhão de praxes e do conveniência e de preconceitos, muitos absolutamente lógicos e aceitáveis, outros muitos sem uma razão de ser inteligente, - mal que no entanto e forçoso respeitar e seguir’ Aos que não sei dizer-te nada. - o que eu não sei é falsificar afectos e fazer [i] artificial. Por isso me calo, me conversos tantas vezes silencio – Ainda a única coisa boa, que posso fazer é olhar para ti, é olhar para os teus olhos. – Mas os teus olhos as vezes, - perturbam-me – põe-me um pouco maluco. Tenho medo que os meus olhos se afoguem nos teus olhos e um pouco maluco – hei-de eu andar sempre até que chegue o dia em que nunca e mais nos separaremos. Até lá o que eu quero, - o que eu exijo e que tu não se ponhas a pular que eu não sou já o mesmo, que eu esfriei, que tu me vais tornando indiferente…lá o maior, aquela que ao meu Amor, - que é o que podes fazer. – Olha. Não escrevo mais, não escrevo, - eu não escrevo. - Vou me deitar, vou dormir, Vou ver se sonho contigo. Nunca sonhaste comigo? – Sempre, sempre teu Tomás.
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |