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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Maria AntóniaNunca realmente me ocorreu a ideia de que teria de servir-me deste meio para declaradamente lhe dizer das minhas intenções. Agora por motivos de que, eu creio bem tenho conhecimento, vejo-me ainda constrangido, forçado a adoptá-lo. A Maria Antónia deve por certo compreende-lo. E se na verdade não esperei ainda, uma duvidosa oportunidade, eu que prefiro falar do que escrever devo-o a lembrança de que dentro dum mês terá naturalmente partido [i] E cá estou eu atrapalhado [i] como hei-de dizer o que tenho, valendo-me apenas a ideia, se é que não me tenha iludido, de que já há muito me compreendeu. Eu creio mesmo que no ano passado, na minha forma de proceder, ainda que natural, a Maria Antónia adivinhou que não me era indiferente. E desde a sua vinda nada mais tenho feito que estudar as suas palavras, os seus gestos, a sua forma de olhar, buscando interpretá-los de forma a diminuir a probabilidade de um formal desengano, sempre doloroso e até talvez ridículo. No dia 18 de Agosto quando do caramanchão víamos passar a gente da feira Depasso, - lembra-se não fossem os patizes que nos rodeavam, ter-lhe-ía dito tudo. Foi talvez a única ocasião que tive de o fazer… [Carta incompleta.]
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |