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Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo a [data desconhecida]Maria AntóniaSe na sua carta de hoje, me não dissesse, que houve um dia em que não me escreveu, eu nunca o saberia, porque tenho rece- bido com toda a regularidade as suas queridas notícias. Mesmo a Maria Antónia viu que apenas disso, não estaria eu um dia esperando- as inutilmente. Dizendo-me que não escreveu, dá-me uma grande prova, uma coisa pequena, de que me diz tudo quanto possa interessar-me. Quanto lho agrade- ço. Levas-lho a mal? Porque’ eu também esperei sempre até a noite as suas cartas para poder falar dela. Hoje chegou- me muito tarde. Perto das onze horas. Irei ainda deitar esta ao correio. Eu também não resolvo no ar Maria Antónia. Se no primeiro ano eu nada lhe disse, além do meu receio que eu tinha que me repelisse, foi também porque tinha que eu pudesse esfriar e não queria arrastá-la na minha leviandade. Hoje felizmente que por mim nada temo. Diz-se que longe da vista, longe do coração se em tantos meses temos estado afastados, eu não mudei ainda, é porque realmente eu não mudarei nunca.
Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Maria Antónia de Figueiredo. |