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Tomaz de Figueiredo a Leonel Furtado a 24 de Maio de 1956Caro e Velho LeonelComo espero seguir hoje para aí, chegarei ainda antes que esta saia de Estarreja. Até aí, portanto. Já tinha lido e arquivado (dentro dos Avisos do Destino) a tapona do Simões. Gozei basto com ela. O Régio, que de há muito, parece apenas escrever para espetar o antigo querido, não deixará de lhe dar indefinidos e subterrâneos Trocos, mestre de ventriloquia como é. E nós indefinidamente a gozar…É um inferior talento, dos tais que só poetas no papel, pintou-se, nos Avisos, ainda mais indesejáveis que o Solas do Nó Cego, posto que retocando. Lioninhas e Marianas, ele?! Aposto que é virgem, não por virtude heróica, mas apenas por Timidez (à Amiel). Um lindo cobra- capelo… …medroso. Esperei sempre que nos “Avisos” tentasse ferrar-me, por procuração do “Solas” mas veja que se temeu do tacão. Vai-se entretanto com o Simões. Qualquer dia morrem em duelo, ambos mordidos e empe- çonhados. Pronto, menino Leonel. Um grande, um muito grande e muito amigo abraço do Tomaz Estarreja, 24/5/1956 Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a Leonel Furtado. |