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Tomaz de Figueiredo a Leonel Furtado a 11 de Setembro de 194711/9/47o Leonel Furtas, falava-me ontem no desgosto da Maria da Graça, por não me ter despedido dela. Mandei-lhe hoje estes versos: -o canarinha belga, de asas de anjo: se não te disse adeus, foi de desgosto. Por bem, faria mal. Sou um marmanjo a quem a mágoa bem depressa ao rosto. Ò de olhos doces, cor de água-marinha, Branca de Neve que nem vai ao bosque, moderna Gata Borralheira, linha de luz aprisionada num quiosque, ò Maria da Graça em quem descubro um coração também de graça cheio: voltarei a Lisboa, para Outubro. É um mês ou pouco mais, aí mês e Maio e então de novo hás-de aturar-me a bolha, hás-de vender-me “Tigres” de Francês. Direi que o teu cabelo é cor de rolha, - Senhor Doutor! – dirás, de cada vez. (brincar é a pior forma de estar sério, ao menos para mim. Isto é sem cura. Que bela rima acode: - Cemitério! Outra igual (é canja!): - Sepultura. Bem! Dois piropos novos: - os teus olhos são azeitonas (verdes) ó Maria. Ou então de boneca dois repolhos por detrás dessas lentes de miopia. Tão de cabelos de oiro, e bata preta, são teus cabelos incendiado Rhum. o todo é tal e qual uma caneta, é tal e qual: - parca cinquenta e um! outro piropo ainda? A que há-de ser? Já falei dos cabelos, que mais há? Olha, se aos meus vinte anos envolver hei-de ir pedir-te a casa, ao teu papá. O Doutor Leonel (grande leitor!) que te leia estas quadras de chalaça. - Loirinha do quiosque, minha flor, acha o que elas não têm, acha-lhes graça. [O último facsimile não necessita de transcrição.] |