
|
Tomaz de Figueiredo a José Osório a [data desconhecida]Querido José OsórioAntes de mais, porque pode ter-lhe esquecido, isto dos Osórios provirem de Osíris, vem na História do Futuro, do Padre António Vieira, desse que foi também exilado na pátria: mais do que isso: Essa de a pátria teimar em chamar-se “pátria”… cá recebi o seu livro. E eu que – desgraçadamente não consegui, em dois anos, ler mais que uns três livros – estou a cafrealizar-me – eu, ontem à noite, quase li as suas fogueiras, a sentir-me também fogueira: uma fogueira cuja lenha é o meu corpo e a minha alma: ambos que eram – e são, caramba! – tão puros, que deram cordeiro de sacrifício e lenha para o queimar. Pois quase li o seu livro, e esta noite acabá-lo-hei. E porque me encontrei nele, também. Porque o Carlos, afinal, - amava a “Toca do Lobo” da “Amoreira”. Que você ama, também, afinal…E na prima Maria das Dores é que estava o abrigo. Nela: José Amigo… Nota: Rascunho da Carta de Tomaz de Figueiredo a José Osório. |